Peso da nova classe média no setor de seguros dobrou em cinco anos

A participação de clientes das classes C e D na compra de seguros saltou, em alguns casos, de 20% para até 40% em apenas cinco anos

Agência O Globo

Publicação: 07/08/2012 21:23Atualização:

A ascensão da nova classe média está mexendo com o mercado brasileiro de seguros. Com ganho de renda nos últimos anos, esses novos consumidores já começaram a constituir patrimônio e agora querem protegê-lo. A participação de clientes das classes C e D na compra de seguros saltou, em alguns casos, de 20% para até 40% em apenas cinco anos. Foram criados produtos mais baratos, sem coberturas adicionais. Entre as novidades, estão seguros de vida por R$ 3,50 mensais, destinados a quem nunca havia feito um seguro na vida, ou o seguro residencial que custa R$ 100 e vale por um ano.

Para estruturar produtos que caibam no bolso desses novos clientes, as seguradoras se muniram de muitas pesquisas. Um levantamento da Experian Marketing Services mostrou que entre 2008 e 2010 houve crescimento de mais de 40% na participação dos clientes considerados Classe C na fatia de seguros de veículos. De acordo com o estudo, em 2011, essa parcela dos clientes respondeu por 41,3% das compras de seguros para automóveis em todo o país. Em 2008, este percentual era a 29,1%.

Um levantamento feito pela bolsa de seguros Seguralta confirmou esses dados. Segundo o estudo, em 2008 a participação de clientes classe C no mercado de seguros de carros oferecidos pela empresa cresceu de 29,1% para 41,3%. Já uma pesquisa feita pelo Bradesco Seguros mostrou outra importante preocupação dessa nova classe média.

“Detectamos que uma das principais preocupações dos consumidores da classe C é não conseguir pagar suas contas, pela incapacidade de gerar renda seja por um acidente, doença ou perda do emprego. A preocupação com a segurança veio em seguida e em terceiro ficou a saúde”, diz o diretor-executivo do Grupo Bradesco Seguros, Eugênio Velasques.

Para esses clientes, a instituição criou um produto chamado Primeira Proteção Bradesco. O nome é diferente, mas trata-se de um seguro devida para quem nunca tinha feito um antes. É destinado a pessoas entre 14 e 70 anos e custa R$ 3,50 por mês, quase o mesmo preço de uma passagem de ônibus. Em dois anos, o produto ruma para chegar aos dois milhões de clientes.

Com o objetivo de oferecer seguros por um preço menor, as companhias estão focando na necessidade mais importante desse novo cliente. Nada de serviços adicionais como chaveiro, carro reserva ou outras facilidades que acabam encarecendo o custo final. Na Seguralta, por exemplo, um seguro básico cobra colisão, incêndio, roubo e danos a terceiros sai a partir de R$ 69 por mês.

“Não se coloca carro reserva ou quilometragem elevada para o guincho. Também não há cobertura para os vidros. Ele se protege mais da grande perda, que é o roubo, e da colisão e danos a terceiros”, explica Nilton Pereira Dias, diretor comercial da empresa.

Por esse valor, diz Dias, é possível conquistar clientes como um jovem de 20 anos que comprou um automóvel Golf, ano 2000, por exemplo, cujo seguro sairia por volta de R$ 2 mil.

Além do preço, outro atrativo é a possibilidade de participar de sorteio de prêmios em dinheiro. Praticamente todas as empresas têm produtos que associam o seguro residencial ou de vida, a um sorteio mensal que, dependendo do plano contratado, pode chegar a R$ 50 mil.

“A premiação é muito importante para esse consumidor, porque é uma forma de ele antecipar a realização de sonhos, mostraram nossas pesquisas”, diz Bento Zanzini, diretor de Riscos de Pessoas do grupo BB e Mapfre.

O Grupo BB Mafpre possui cerca de 30 produtos considerados populares, sempre procurando atrelar o seguro ao sorteio de prêmios. Entre eles, o Vida Protegida e Premiada, que custa R$ 6,60 por mês. É vendido na rede de lojas das Casas Bahia. Oferece indenização na falta do provedor familiar, cesta básica, seguro contra acidentes pessoais em transporte coletivo, diária de dez dias em hospitais, em caso de acidente, e desconto de até 50% na compra de remédios. Tem produtos que cobrem o pagamento da conta telefônica por seis meses, a partir de R$ 5,90, e planos funerários a partir de R$ 3,50.

Zanzini estima que atualmente, entre 20% e 25% do faturamento da empresa venha de clientes das classes C,D e E. Outro fator que deve impulsionar o número de clientes, segundo ele, especialmente aqueles com menor renda e pequenos empreendedores, são os microsseguros, cuja regulamentação está em processo de finalização pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). São produtos com contratos mais simples e serão vendidos pela internet e pelo celular.

A experiência de outros países mostra que esse tipo de seguro já fez sucesso. Na Índia, em 2008, o ciclone Nisha devastou a costa Sul do país. Mais de 50 mil pessoas perderam casas, roupas, comida. Entre elas, 14.500 famílias haviam feito o microsseguro contra desastres naturais, pagando parcelas de US$ 1 por mês. Juntas, essas famílias receberam cerca de US$ 800 mil em seguros para recomeçar a vida.

De acordo com as seguradoras, a tendência é que os consumidores da nova classe média passem cada vez mais a contratar seguros. No Brasil, segundo estimativa da consultoria Accenture, a migração das classes D e E para a classe C e o aumento do poder de compra da população serão os principais responsáveis pelo maior faturamento.

Segundo a Accenture, os mercados emergentes serão responsáveis por 60% da expectativa de crescimento do faturamento das seguradoras nos próximos 10 anos. Até 2015, de acordo com a consultoria, existe um potencial de crescimento entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões nos mercados considerados maduros e entre US$ 650 bilhões e US$ 900 bilhões nos mercados emergentes.

A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), entidade que representa 74 empresas, calcula que o mercado de seguros de pessoas movimentou R$ 8,8 bilhões no Brasil, em maio, um crescimento de 13,83% a igual período do ano anterior. Entre os seguros com maior representatividade no mercado, os produtos que obtiveram melhor desempenho foram o seguro desemprego, que cresceu 224,30%, com prêmios de R$ 56,3 milhões, e o educacional, que se expandiu 88,68% e registrou pagamento de prêmios no valor total R$ 14,1 milhões.

Nos últimos 15 anos, a indústria de seguros aumentou sua participação de 1% para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos próximos 15 anos a expectativa é que essa participação seja equivalente a 7,5% do PIB, mais do que o dobro da atual. Os mais otimistas projetam que que o crescimento seja até mais expressivo até 2027, podendo chegar entre 9% e 11% do PIB.

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