Ajuste salgado no seguro de carro.

Fonte:

Brasil Econômico / CQCS

Aumento do índice de roubo, inflação em peças e até juro básico menor pressionam seguradoras a elevar preço em até 12%

Os cerca de 11 milhões de brasileiros que possuem seguro de carro vão ter uma surpresa nada agradável em 2012. Se na virada para 2011 as apólices tiveram reajuste para baixo, com a queda no índice de roubos de veículos, agora as principais seguradoras do segmento já avisam que vão aumentar os preços de proteção de automóveis em decorrência da elevação de custos e sinistralidade neste ano.

A Porto Seguro, que tem a maior carteira do setor – de R$ 1,82 bilhão em prêmios retidos em julho, último dado da Superintendência de Seguros Privados (Susep) -, prevê reajuste médio de 10%. “Isso se o cenário não piorar”, diz Luiz Pomarole, vice-presidente de Produtos.

A SulAmérica, por sua vez, não aponta nenhum percentual, mas assume a elevação de preços. A empresa tinha, em julho, R$ 1,67 bilhão em prêmios retidos. Já a Liberty, que tinha carteira de R$ 732,4 milhões em julho, acredita que a elevação possa chegar a 12%.

“Mas isso não será repassado de uma vez ao cliente”, pondera o vice-presidente da área técnica, Paulo Umeki. Isso porque, como o mercado de automóveis é competitivo, a sensibilidade do consumidor ao preço acaba sendo elevada, segundo ele.

O aumento de preços ocorrerá também no segmento de luxo.

A Chubb, reconhecida por atender as classes mais altas da população e que tinha em julho uma carteira de R$ 156 milhões na modalidade de automóveis, assume que já está elevando os valores das apólices. “A Chubb começou um reajuste de preços para cima de 8%, em média, desde outubro”, diz o presidente da Chubb, Acácio Queiroz.

De acordo com o diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas, o que tem feito as seguradoras aumentarem preços é a elevação do índice de roubo e furto de veículos. De janeiro a outubro deste ano, foram roubadas 331,7 mil unidades, enquanto em 2010 o total foi de 377,5 mil, o que remete a um possível recorde no indicador em 2011, com um total de 400 mil unidades roubadas. “Além disso, houve queda no número de veículos recuperados”, completa Freitas. Eles passaram de 177,4 mil em2010 para 158,2mil de janeiro a outubro deste ano.

Mas esses índices não afetam de forma igual os segurados. De acordo com Pomarole, da Porto Seguro, ações de governos regionais tendem a interferir no índice de roubos e recuperação.

“No Rio de Janeiro, com as unidades pacificadoras e blitz da Lei Seca, o índice é menor. Em São Paulo, não há controle tão rígido do estado, o que eleva o índice de roubo e furtos.” Além do aumento de índice de roubos, o que contribui para a elevação do valor das apólices em 2012 é a inflação em peças e mão de obra em oficinas mecânicas na ordem de 18%. “Observamos um bom tempo para ver se era temporária essa elevação ou se ela iria se perpetuar. Hoje este aumento se consolidou”, diz Umeki, da Liberty.

Na contramão do mercado, Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros, vice-líder na modalidade com prêmios retidos da ordem de R$ 1,6 bilhão em julho, não vê aumento de preços do seguro, mas admite que há uma pressão nos custos por conta de determinadas peças e serviços. “Há uma concorrência muito grande no segmento de veículos”, diz, indicando como um dos fatores que não devem levá-la a alta de preço. Paulo Umeki, Vice-presidente da área técnica da Liberty, “O aumento de preço não será repassado de uma vez ao cliente”.

 

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